quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mãos dadas

O tipo de amor que não quer mesmo morrer
Que é para sempre, com troca de alianças.
Um amor que é, acima de tudo, amizade
Mas não só isso.
Ele quer ser amante
Quer estar no entrelaçar dos corpos
Na dança do prazer
Ele quer ser.

sábado, 5 de setembro de 2009

Ciclo

Cotidiano que gira em torno de controle; o que pode, o que não pode. Lições a serem aprendidas são deixadas para o amanhã, que nunca chega. Quem sou eu, quem somos nós? Sombras chamadas de corpos, perambulando, em busca de sucessos que ninguém provou ser verdade. Liberdade só no dicionário. Somos almas acorrentadas, umas as outras, girando em torno de conceitos. Eu sou um círculo, somos todos um ciclo. Sem fim, perdidos e com medo da consciência - nossa própria sentença.

Citalopram e Benzodiazepina

Tome um comprimido e arrume o quarto. Reveja seus amores e vícios. Tome outro comprimido e deseje que tudo torne-se padrão. Reveja seus conceitos e perceba que as coisas só mudarão com um afastamento. Tome um comprimido e durma.

Ironia

Absorva tudo o que for capaz
Dores e amores
Esqueça o filtro - disassocie-se
Absorva todos os rumores
Absorva as dores.

Aqui

O corte - a dor
A pele, o sangue, o ardor
Sentimento de vida.

Marcas e volumes na epiderme
No sofrimento, o prazer
no prazer, o alívio do sofrimento.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O que ninguém vê.

Quando se calam, o silêncio é quem parece gritar e surtar.
Inquietante, frio e cortante.
Por que ninguém responde?
Há algo a ser dito
Há algo a ser dividido
Medo, vergonha e covardia.
É o que ninguém vê.
Quando se calam,
Não é como um conforto
Não é como um carinho
Que tantas vezes, no silêncio se revela
Não existe rumo nem plano.
Quando estão calados parecem lutar com o tempo
Na esperança de logo passar
O nervosismo
O incômodo.
Eles são como ninguém vê.
Distantes e desconhecidos,
Se calam querendo se conhecer.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Fulano

Era um quarto vazio. Estava fechado. As pessoas jogadas no chão. Fulano enxergava como a luz: tudo amarelo. Nas paredes que o cercavam, só havia fumaça. A música alta guiava as bocas drogadas. Saiu do quarto. No corredor escuro, mais corpos sem dono, entrelaçados e violados. Sentou-se no sofá com o enjôo da bebida. Em silêncio, observou os rostos risonhos. Todos iguais.
Madrugada. Saíram do apartamento em grupos pequenos. O vento forte batendo no rosto e passos cambaleantes. Fulano sentia o corpo pesado. Os pés mal deixavam o chão, as mãos suavam, todo o corpo formigava. Parou e viu que o mar o encarava. Sem saber como, estava na praia.
Fulano sentiu sede. Sede e fome. De pizza, de sexo, de mãe. Sentou na cadeira de plástico e tragou seu cigarro. O cigarro o tragou. As luzes brancas dos postes quase o cegaram. Quanto barulho, quantos carros e buzinas. Mal percebeu que sua língua agarrava outra. O mesmo sentimento. A lúxuria bêbada e rotineira.
Nesse instrante, já não sentia os pés. Estava de novo sozinho. Os rostos alheios agora pareciam chorar. Fulano quis chorar. Afastou-se e deixou que o silêncio o levasse para casa. Deitou na cama e fechou os olhos. Agora, sentia as dores da cabeça acompanhando o ritmo acelerado do seu coração. No ouvido, um zunido quase insuportável. Nas pálpebras fechadas, um floco de neve roxo e verde. Na cabeça, o arrependimento. Virou para o lado e apagou.

Novembro de 2007.

O que faltava

Não é exatamente uma conversa que procuro. Não são desculpas pois cada um tem sua forma de superar. Não foi fácil conviver com tantas lembranças do que considerei perfeito. Não é exagero afirmar que te odiei na intensidade que te amei. Duas pessoas que se machucaram, de uma forma ou de outra. Um tempo que passou para não deixar passar o que, além de perfeito, é eterno. Nas sensações que cada figura ou sonho trás. No que se aprendeu com cada gesto e ação. Na saudade que hoje não é mais um martírio. Hoje não é conversa. Um provável agradecimento. Pelo antes, o depois e o agora. Se existe, não deve se achar a explicação para ainda ser minha inspiração. Não como o laço, não como o compromisso, mas como o simples estar perto. Há coisas que simplesmente são como são. E contra isso, não luto mais.

Espelho

Encarar-se nos olhos
Deve ser o primeiro passo.
Admitir que não é preciso pertencer
A lugar algum
Que sentir-se diferente é normal.
Entender que não há nada de errado
E que tudo passa
Que é só mais um
Porém igual à outro nenhum.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Deixar ir

Pela janela, os últimos raios de sol ao som de baladas "espanicas" que lembram de o deixar ir. Junto às cartas, aceitando as desgraças. Evaporou como se nem ao menos tivesse existido. Ela, sensação que era tão doce, tão rosa, tão viva. Deixe ir, melhor assim. Ainda nesse instante, há felicidade nos olhos, que baixam e fixam os tacos imundos, lembrando das castanholas e do perfume de casa nova. Baixa o sol e dor de saber que é melhor esquecer.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Aliança

"Normal é pensar que se é maluco." Querer continuar no mundo da fantasia, aí sim, talvez seja loucura. Não é à toa que esse mundo está cheio do conceitual... e da psicologia. Se sobreviver é ter consciência racional, é nesse ponto que encontro meu limite. Se eu pudesse sonhar - e apenas sonhar - seria a pessoa mais completa. Infelizmente, a vida não é do tamanho da minha imaginação. É preciso conviver com o acaso e esquecer do que sempre considerei eterno.
Ao olhar para o espaço vazio que ocupa seu lugar neste dedo, penso se serei capaz de ser feliz sem ele, sem nós. Já faz tempo, desisti de tentar superar e largar as lembranças que nem ao menos vivemos. Ao voltar dos devaneios, sinto a dor da minha própria tortura, da noção de uma linha existente de razão, que permite me julgar ser normal.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

(Re)começo

Vamos descrever sensações. É madrugada, no ápice do marasmo das férias, insônia e falta de equilíbrio mental, começo outro ciclo de vômitos de palavras pouco acessadas e muito criticadas. Pelo prazer de descrever as invariações de uma vida costurada por relacionamentos indefinidos (não adianta, é só o que domino), frustações e resquícios de outros prazeres tragados. Mais constante, menos interessante, na mesma larga medida intelectual de sempre. Here we go again.