Amor é como dizem:
poetizar.
Beleza é como eu vejo
em seu olhar.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Esforço cobrado
Ela está ausente, trabalhando incansavelmente no desperdício. Seu valioso esforço é quase sempre descartado pela cobrança. Ela vive em um jogo de executar e deletar, suar e chorar. Quase não há comemoração, suas conquistas precisam sempre de ótimos elogios. Ela é como um muro de papel, que se acostumou a se amassar pela insegurança. Exigências que precisam morrer, uma garota que precisa respirar.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Ritual
Quando se encontram, os gestos contidos predominam por alguns instantes. Parecem recém enamorados, querendo se conhecer. Envergonhados, agem como desvendadores cautelosos, iniciantes e desajeitados. Não importa quantas vezes, a cada encontro, o mesmo ritual. Talvez seja a essência de dois eternamente apaixonados.
Improvisando
Ficamos no ritmo do improviso na madrugada. Enquanto nossas bocas colavam, nossas mãos escorregavam. Um corpo sentindo o outro, navegando entre as curvas, entrelaçando-se entre as roupas. O prazer estava ali, em sua plenitude, como jamais havia chegado. Se pudesse, congelaria o tempo naquele instante.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Sublimação
Nem toda a poesia do mundo pode comparar a sublime forma de onde vem minha inspiração e meu deleite. Sempre a alimentar meus luxuriosos e inevitáveis desejos. Se um dia inspirou medo e vergonha, agora convida-me à segurança e, sem exagero, ensina-me o verdadeiro prazer. De um jeito vagaroso e intenso, com seus olhos fixos na paixão do momento. Calafrios envolvem meu corpo ao lembrar do êxtase proporcionado. Saboreio a tradução de tal sentimento sabendo que tornará a se repetir, como um ciclo viciante e arrebatador que não deve nunca parar.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Velharia
O sorriso secreto de outra face
Não há quem desvende
Um segredo que guarda a beleza
do infinito azul
do mundo dos sonhos.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Sobre ela
Não há nada mais doce do que deitar nossos corpos nus, lado a lado, observando o teto branco e achando graça nas semelhanças físicas.
Em cada curva descubro novas pintas e marcas únicas. Seus gestos delicados, os meus desajeitados, nossos ruídos.
É ainda mais bela deste jeito. Em seu olhar vejo a mistura de anseio e carinho. Uma criança no corpo de uma mulher que sorri no centro da cama.
Pura, crua, em sua essência matriz. A beleza que jamais fugirá dos meus desejos. A imagem que os meus olhos sempre guardarão.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Luas
Um domingo como a muito não havia. Ensolarado depois de dias de chuva, parece que foi proposital. Pude sentir o cheiro dos brotos das jovens flores do quintal vizinho, que crescem com a primavera. No rádio, músicas "anos 90" compõem o clima familiar de véspera de feriado. Nem todos os sentimentos são radiantes mas, ao cair da noite, é a leveza e o sorriso no rosto que prevalecem.
Sento-me à mesa para escrever pensamentos sem importância. Em frente a um Pierrô apaixonado, ao lado dos desenhos que fiz pensando em você. Três longos dias sem comunicação me fazem consumir tintas e devorar textos. Não se deve pensar que não há mais nada à dizer. Ainda que eu tenha utilizado todos os adjetivos do dicionário, sempre haverá algo a te dedicar. Como por exemplo, um domingo.
Todos temos dependência de algum sentimento. Há mais de um ano, parte da minha felicidade nutre a expectativa de um futuro. E ao sonhar com ele, flocos de seretonina nutrem minha alma. Sinto cheiro dos móveis novos e a caixa de papelão vazia ainda com cheiro de pizza. O All Star vermelho próximo à porta e nossa arte pela sala. Sem espaço para a ausência. Nem aos domingos, nem em nenhum outro dia.
Há mais de um ano, você é como um presente, que nunca perdeu o laço da embalagem. Toda vez que abro o pacote, continuo contemplando como se ainda estivesse embalado. Eu conheço os segredos mas mantenho o mistério; um feitiço que o cotidiano não apagou. Este domingo é dedicado aos três meses de sete de mais de um ano. A lua iluminada no céu é minguante, mas nós sabemos que sua forma é sempre cheia.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Todo o meu amor
"Acho que amor mais denso que esse não tem.
Não é amor de amigo, de amante...
É todo o amor que tenho!
A cada dia te descubro mais meu
mas não com tom de posse e sim de reconhecimento.
acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus..."
Não é amor de amigo, de amante...
É todo o amor que tenho!
A cada dia te descubro mais meu
mas não com tom de posse e sim de reconhecimento.
acho uma delícia quando você esquece os olhos em cima dos meus..."
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Paixão
Danço ao som de uma valsa muda
Somos o par no centro do salão
As cores que iluminam a noite são nossas almas doces.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Mãos dadas
O tipo de amor que não quer mesmo morrer
Que é para sempre, com troca de alianças.
Um amor que é, acima de tudo, amizade
Mas não só isso.
Ele quer ser amante
Quer estar no entrelaçar dos corpos
Na dança do prazer
Ele quer ser.
sábado, 5 de setembro de 2009
Ciclo
Cotidiano que gira em torno de controle; o que pode, o que não pode. Lições a serem aprendidas são deixadas para o amanhã, que nunca chega. Quem sou eu, quem somos nós? Sombras chamadas de corpos, perambulando, em busca de sucessos que ninguém provou ser verdade. Liberdade só no dicionário. Somos almas acorrentadas, umas as outras, girando em torno de conceitos. Eu sou um círculo, somos todos um ciclo. Sem fim, perdidos e com medo da consciência - nossa própria sentença.
Citalopram e Benzodiazepina
Tome um comprimido e arrume o quarto. Reveja seus amores e vícios. Tome outro comprimido e deseje que tudo torne-se padrão. Reveja seus conceitos e perceba que as coisas só mudarão com um afastamento. Tome um comprimido e durma.
Ironia
Absorva tudo o que for capaz
Dores e amores
Esqueça o filtro - disassocie-se
Absorva todos os rumores
Absorva as dores.
Aqui
O corte - a dor
A pele, o sangue, o ardor
Sentimento de vida.
Marcas e volumes na epiderme
No sofrimento, o prazer
no prazer, o alívio do sofrimento.
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